Cerimônias

 

Olubajé

 


O Olubajé é uma cerimônia feita obrigatoriamente todo ano nas casas de Obaluaye ou outras que tenham um Omulu ou Obaluaye feito com menos de sete anos
Olubajé É Um Ritual Para Obaluaiê E Somente É Feito Em Casas De Candomblé e por Lei em casa onde tenha feito um Yawo de Obaluae há menos de sete anos ou o proprio Zelador ou Zeladora seja deste Orixá.
Olubajé É Uma Palavra Iorubana E Que Significa Olú : Aquele Que ; Ba : Aceita ; Je : Comer . Nesta Página Mostrarei Algumas Cantigas Que São Tocadas Neste Ritual Juntamente Com Suas Traduções.
Olubajé
(autor: Sérgio de Ajunsun (Sérgio Cigano)
Diz uma lenda que Xango, um Rei muito vaidoso, deu uma grande festa em seu palácio eocnvidou todos os orixás, menos Obaluae, pois suas caracteristicas de pobre e de doente assustavam o rei do trovão. No meio do grande cerimônial todos os outros orixás começaram a dar falta do Orixá Rei da Terra e começaram a indagar o por que de sua ausência, até que um deles descobriu de que ele não havia sido convidado, todos se revoltaram e abandoram a festa indo a casa de Obalaue pedir desculpas, Obalaue se recusava a perdoar àquela ofensa até que chegou a um acordo, daria uma vez por ano uma festa em todos os orixás seriam reverenciados e este ofereceria comida a todos com tanto que Xango comesse aos seus pés e ele nos pés de Xango, nascia assim a cerimônia do olubajé. Porém muitas outras vão em desencontro com essa lenda, pois narram outros motivos o porquê que Xango e Ogum não se manifestarim no Olubajé. Aqui vou narrar um poco o que acontece nessa cerimônia:
Nesse dia todo o barracão, casa de candomblé, se encontra ornamentada na cor desse orixá, Obaluaê, devo ressaltar que essa é a única cerimônia dentro do candomblé que dispensa o Ipade, chega a hora e o Babalorixá ou a Yalorixá faz soar o adjá, a fila indiana se forma todos descalços, panelas de barro ornamentadas com faixas todas contendo comidas de todos os orixás com exceção do orixá Xango, a frente estará a Yalorixá ou o Babalorixá seguida por uma filha de Oyá carregando uma esteira, uma outra com um pote na cabeça contendo a bebida sagrada das cerimônia chamada de Aluá, mais 1 com um vasilhame de barro cheia de Ewe Lara (folha de mamona) a qual servirá de prato para as comidas, logo em seguida mais 21 pessoas ou 7, esses são os números das comidas oferecidas, estarão com vasilhames de barro na cabeça.É importante ressalatar que todos, como numa cerimônia de um bori, inclusive os assistentes deverão estar descalços. Nesse momento o Zelador(a) do culto entoa para os atabaques a seguinte cantiga: Vamos ver o Olubajé em uma parte do livro O Banquete do Rei

OLUBAJE... o banquete do Rei <<<>
 

A saída de Iyawo




No dia da saída iyawo , ou melhor, dizendo, no dia do nome do Orunkò do iyawo o zelador (a) deve atentar para deixar tudo pronto, deve se observar os seguintes itens:
1) - nunca esquecer de fazer como em toda cerimônia, despachar Esu, eu prefiro dizer que esu não se despacha, chamando a ADAGA E A SIDAGÃ, mulheres responsáveis para rodar o Padê da casa, isso antes do Sol se pôr, pois é crença dos Nagôs que Padê só se roda à noite nos axexes. o pàdé de Esu é despachado ainda cedo, sendo feito de maneira mais elaborada, com cânticos aos ancestrais, louvando-se às íyámi Aje, aos Bàbá, Èsá, com cânticos específicos para cada um e para cada ele­ mento das oferendas. Mas isso não impede que no momento do início do siré haja mais cânticos para Esu.
2) - deve-se fazer o FÁRI ÈKETA (a terceira raspagem da cabeça) que chamamos de “limpar a cabeça”
3) – já deixar preparadas as comidas que serão servidas aos convidados.
4) – preparar as roupas das saídas. 
Tudo isso evita o famoso nervosismo da hora.
No tempo antigo, costumava-se tirar o iyawo antes da meia noite.
Como em todos os toque, começa-se o candomblé com o siré (os cânticos e danças) louvando Esú. Aqui deixo a minha observação que SIRÉ significa brincar, ou seja, estamos, nessa hora, avisando aos Orixás que vamos começar o Candomblé, nesta hora, portanto ainda não se vê nenhuma manifestação de Orixás.
O Babalorixá ou Iyalorixá deixa o siré transcorrer normalmente e é ele quem decide a hora em vai tirar seu Iyawo. Nesta hora o pai ou mãe chega até o iyawo e próximo a um apoti (banquinho) e diz:
Ó SÍ JÓKÓ NI ÀGA KÉKERÉ
E senta o iyawo num apoti ou cadeira evoca o orixá deste e começa a vesti-lo para a primeira saída, essa vestimenta deverá ser toda funfun (branca), pois nesta é representada a pureza de seu nascimento para uma nova vida, ou como chama muitos ases, a saída de Oxalá.
Depois de pronto o Baba ou Iya colocara o osu no gbéré-orí (centro do ori) do iyawo. Aqui vai uma observação importante, muitos foram os casos que se viram um osu cair no salão e isso derruba qualquer nome de zelador, os que detêm o segredo para que um osu não caia nunca deram. A verdadeira dica é simples, simplesmente na composição deste, se deve usar o ori vegetal verdadeiro, pois este tem uma boa consistência ao contrário de outro de origem animal, que na realidade é de banha de carneiro e como tal não fixa, derrete. Garanto a todos meus leitores que se esse for ori verdadeiro, ficará até a 3ª saída sem que dê a menor preocupação para seu Baba.
Depois de colocar o osu chega a hora de prende-se ao redor do orí o ì kóòdíde (a pena vermelha do papagaio odíde). Segundo um itòn (história) Yorübá sobre Òòsààlà, o ì kóòdíde é o único ornamento vermelho que Òòsààlà aceita. Isso em reverência à maternidade, repres entada a menstruação ou o poder de fecundidade da mulher, que possibilita o ato da gestação e da procriação, pois ao ter o poder menstrual, essa também é a única que tem o poder de gerar um novo sêr para o Aye, a saída de um yao também é comparada ao nascer de uma nova vida e é justamente este ato que é lembrado através do ekodidé, sua cor vermelha associa-se ao poder de fucundidade. Aqui, deixo a minha observação para este parágrafo, ainda existem casas que mesmo depois da transição da cultura do candomblé da oral para a escrita, têm o costume de substittuir a pena deste papagaio, não poderíamos, poi só esta ave está ligada ao iton (história) de OXALÁ, OXUM E O EKODIDÉ.
Depois de feito isso vamos prepar o Iyawo para a primeira sáida, nesta ele deverá ser pintado apenas com efun, pois nsta saída, com excessão do ekodidé, tudo deverá ser branco, pois é uma saída que reverência o Orixá Oxalá, símbolo da vida e também, na minha reflexão, seria também a união dos símbolos Oxum, através do ekodidé, represnetando o lado feminino e o branco represntado Oxalá, o lado masculino, símbolos indicando, também, a fecundação.
ao pintar, essa pintura deverá ser de forma bem pequena, imitando as cores brancas de uma galinha d´angola, pois esta, segundo a lenda, teria sido o primeiro iyawo raspado. Também deverá conter em seu rosto, bustos e costas, OS IKOLAS (incisão feitas para o símbolo daquela tribo, a do que o iyawo feoi iniciado. Antigamente era comum essas marcas serem feitas também no rosto, porém com o tempo as do rosto foram abolidas, isso por uma questão de estarmos vivendo num país onde isso não seria bem visto para essa sociedade. Existe também a opção em várias casas de não se fazer o IKOLA.
Terminada as aquelas tarefas a Iya ou o Babá anuncia para alguém, baixinho, que o Iyawo está pronto para a saída.
No barracão é entoada a seguinte cantiga:
ÀLÀ RÈ K'OMO ÀJÒ KI WÁ AWO,
KI WÁ ÀJÒ.
A BO ÈNYIN KI WÁ AWO,
KI WÁ AWO, KI WÁ ÀJÒ,
KI WÁ AWO, KI WÁ ÀJÒ,
KI WÁ AWO KI WÁ ÀJÒ NGBÉ LÉ.
(Seu alá saúda os filhos na viagem que vem ao culto, que chegam de viagem, nós cultuamos a vós que vindes ao culto, que vindes ao culto,
que chegais de viagem, Que vindes ao culto, que chegais de viagem, que vindes ao culto que chegais de viagem para morar (viver) em nossa casa).
Todos os presentes ficam de pé para receber o noviço.
Veja que a letra fala de uma nova pessoa que estaria chegando de uma viagem, viagem aqui no sentido de vir para os mundos espirituais, claros sem sair do ayé (terra) ou ir para Orun (céu).
Obs.: Aqui eu uso o termo Orun, porém concordo com Juana Elbein dos santos em Os Nago e a Morte quando discorda de muitos autores quando estes traduzem a palavra Orun como céu, segundo poucos autores e eu concordo, Orun teria um significado muito diferente daquele que temos para o céu cristão, enquanto este último abrangeria só o espaço atmosférico do Planeta Terra e todo o Universo, a idéia de Orun teria este espaço, porém também adicionado do interior deste Planeta, o termo mais apropriado para este céu seria SAMO, muito pouco usado pelos adeptos e até mesmo por grande escritores.
Nesta hora se traz o iyawo para a sala a ì yámorò vem trazendo a eni e o pai ou mãe do iyawo vem puxando-o por um cordão de palha da costa conhecido como mokan eles circulam pelo salão até pararem no centro, nesta hora o Baba ou a Iya começa a próxima cantiga.
ÒDÒFIN Ó DÒBÁLÈ KÍ Ì OB Ì NRIN ODÒFIN,
ODÒFIN Ó DÒBÁLÈ KÍ Ì OB Ì NRIN ODÒFIN.
Durante essa cantiga o iyawo é conduzido para a porta, centro do barracão, onde se encontra plantado o axé da casa e por último para os atabaques. Segundo alguns escritores ao reverenciar a porta, estaria o Iyawo reverenciando os Orixás ogun e Exu, Senhores do caminho e segundos primeiros orixás criados depois de Onile. Em cada lugar desses, o Iyawo prosta-se com suabariga na terra, ato este denominado dòbálè ou outro denominado Ika, Segundo os costumes brasileiros dessa reverência, dizem que o dòbálè é o cumpri­ mento feminino e iká é o cumprimento masculino , neste ato ele saúda a mãe terra
 

O Ipadê



Essa cerimônia precede todos os toques é feito de dia, com exceção na cerimônia AXEXE quando é rodado durante à noite.
Costuma-se dizer que essa cerimônia é para despachar Exu, porém isso não é verdade, pois nesta hora apenas colocamos Exu como guardião e mensageiro para avisar aos Orixás que estaremos precisando de suas presenças no Ayê.
Na verdade um toque se divide em o IPADE propriamente dito, O XIRÊ e o RUM.
No Ipade ( ou como muita gente CHAMA PADE ) colocamos OJIXÉ ( EXU - O MENSAGEIRO ). Nesse ritual são também invocados as Yamis, Exu Ale etc. Ojixé leva o recado aos Orixás que o Ayê (mundo físico, o homem)está solicitando sua presença.
Na segunda parte no XIRÊ ( que significa em Português BRINCAR ) o homem começa a "brincar", ou seja cantar de um modo mais descontraído, nesta hora os Orixás ainda estão sendo avisado que eles serão reverenciados, eu costumo dizer que se deve educar aos orixás desde o seu nascimento dentro de um axé que nesta hora não deverá tomar seu filhos.
Por fim e ultima parte temos o RUM DOS ORIXÁS nesta os orixás toma seus filhos e começam seus festejos, através dos atos em suas danças contando suas lendas, suas proezas e nos ensinando a sobrevivência.
Pra quem teve a oportunidade de assistir O BALÉ DOS ORIXÁS transmitido pelo Canal 2 TV Educativa, aqui do Rio de Janeiro, peça essa que foi baseada em obras de grandes pesquisadores, o Padê ou Ipadê seria uma cerimônia alheia aos assistentes, ou seja, feita antes de começar a chegarem as pessoas de fora. Consistiria de uma ADAGAN e uma SIDAGAN (mulheres com cargo para esse fim) uma quarta de água e um oberó com farofa de dendê (chamado de PADE), isso tudo precedido por um sacrifício de um frango na casa de Exu. Com um adjá começaria a evocar exu.
A primeira que evoca os ajés seria apenas com uma reza:
EXU A JUO MO MO
KI WO
LAROYE EXU A JU O MO MO
KI WO ODARÁ EXU AWO
E terminaria com a seguinte cantiga
BARA JO BO TON
BARA UN LE
BARA JO BO TON
BARA UN LÓ
Vamos ver o que a Wikipédia fala:
Obs.: Nesta, o autor do texto confundi PADE (que seria a comida) com IPADÊ ( que significa ENCONTRO, o encontro dos ajés já citados) que é prórpimente a cerimônia.
Autor: Sérgio de Obaluae( Sérgio CiganUs) coloboração: Wagner de Osoguiã
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre
O Padê de Exú é um ritual executado antes de qualquer cerimônia interna ou pública do Candomblé , Exú é sempre o primeiro a ser homenageado.
De manhã, consuma-se o sacrifício ; os preparativos culinários e a oferenda às divindades ocupam a tarde; a cerimônia pública propriamente dita começa quando o sol se põe e se prolonga por muito tempo noite adentro.
Tem início obrigatoriamente com o padê de Exú , do qual muitas vezes se dá uma interpretação falsa, particularmente nos candomblés banto: Dizem Exú é o diabo, poderá perturbar a cerimônia se não for homenageado antes dos outros deuses, como aliás ele mesmo reclamou (Roger Bastide, Imagens, p.115). Para que não haja rixas, invasões da polícia (nas épocas em que haviam perseguições contra os candomblés," Estado Novo "), é preciso pedir-lhe que se afaste; daí o termo de despacho, empregado algumas vezes em lugar de padê, despachar (significando mandar alguém embora).
Exú é, na verdade, o Mercúrio africano, o intermediário necessário entre o homem e o sobrenatural, o intérprete que conhece ao mesmo tempo a língua dos mortais e a dos Orixá . É pois ele o encarregado - e o padê não tem outra finalidade - de levar aos Orixás da África o chamamento de seus filhos do Brasil .
O padê é celebrado por duas das filhas-de-santo mais antigas da casa, a dagã e a sidagã , ao som de cânticos em língua africana, cantados sob a direção da iyá têbêxê e sob o controle do babalorixá ou iyalorixá , diante de uma quartinha com água e um alguidá contendo o alimento de Exú , um outro recipiente com o alimento favorito dos ancestrais . Embora o padê se dirija antes de tudo a Exú , comporta também obrigatoriamente uma cântiga aos mortos ( Essá ) ou para os antepassados do candomblé , alguns dentre eles sendo mesmo designados por seus títulos sacerdotais. A quartinha, o recipiente e o alguidá serão levados para fora do barracão onde se desenrolará o conjunto de cerimônias.
A festa propriamente dita pode então ter começo.

 

AXEXE ,


Meu pai Carlos de Omulu, costumava reunir todos seus filhos pra explicar o significado de todas cerimônias, era a parte, quando ainda criaça, mais gostava do candomblé. Ele dizia que lá nos princípio dos tempos quando começou-se a ter essa prática no candomblé, só os grandes guerreiros das tribos tinha direito a essa cerimônia.
Ela se inicia ao morrer um ADÓSÙ do barracão, quande este solta seu último EMI (sopro dado por Deus ano nascer) e parte para o Orun.
Acreditamos que nesta hora o Orisà Obaluaê senta-se em seu peito até a hora deste ser devolvido a mãe terra (hora do sepultamento) assim sendo ele entrega a sua mãe NANA aquele espirito para que seja conduzido ao Orun. Baseado nesta crença é regulada a lei do candomblé que proibe que o APARAKÀ (defunto), corpo de um adòsú seja colocado numa gaveta ou cremado, à nós é privada esta reagalia.
Comecemos por etapas a falar desta cerimônia.
1) Fase preparatória :
Desde que o falecimento de uma adósù do “terreiro” é conhecido, procede-se a levantar um pequeno recinto provisório, coberto de folhas de palmeira , junto ao Ilé-ibo-akú .
A Iyálàse , secundada por outra sacerdotisa, procede ao levantamento ritual dos “assentos” individuais pertencentes à falecida assim como todos seus objetos sagrados e tudo é depositado no chão no recinto provisório, distante dos Ilé-orixá . As quartinhas que continham água são esvaziadas e emborcadas.
2) Axexé os cincos primeiros dias:
O ritual Axexé dura sete dias consecutivos. Durante os cincos primeiros dias as mesmas cerimônia se repete exatamente, segundo a seguinte seqüência:
a) Todos os membros do egbé , rigorosamente vestidos de branco, reúnem-se, no barracão, ao pôr-do-sol, para celebrar o Padê tal qual o descreveremos. No inicio, o espírito do morto é invocado junto com Exú e todas as entidades.
b) Terminado de cantar o Padê , o egbé coloca-se em volta da cuia vazia que ocupa o centro da sala, deixando sempre uma passagem de saída para o exterior. Neste momento, um dos sacerdotes, encarregados do ritual que se vai desenrolar no Ilé-akú e no recinto exterior onde foram depositados os “assentos” e os objetos da falecida, traz uma vela, coloca-a ao lado da cuia e ascende.
c) Todos os que estão presentes enrolam suas cabeças com torços brancos e cobrem cuidadosamente o corpo com um grande oja branco. No momento em que se ascende a vela, supõe-se que o espírito do morto se encontre na sala representado pela cuia. Um logo rito vai desenrola-se, começando pela Iyálorixa , seguida em ordem hierárquica por cada uma sacerdotisa de grau elevado e finalmente por um grupo de dois a dois das noviças. Cada uma saúda o exterior, a cuia os presentes e dança em volta da cuia colocando moedas que passam previamente por sua cabeça, delegando sua própria pessoa ao morto. Ao mesmo tempo despede-se do morto, com cantigas apropriadas. A primeira cantiga entoada pela Iyálorixa é uma reverensa a todos os Axexé que, como dissemos, são os primeiros ancestrais da criação, o começo e a origem do universo, de uma linguagem, de uma linhagem, de uma família, de um “terreiro”. A venerável morta a Adosun que merece essa cerimônia e é seu objeto converter-se-á também num Axexé .
A Iyalase saúda: Axexé , Axexé o!; 1. Axexé , mo juga ; Axexé , Axexé o!; 2. Axexé o ku Agbà o!; Axexé , Axexé o!; 3. Axexé , érù ku Àgbà o!; Axexé , Axexé o!
Tradução: Axexé oh! Axexé ; Axexé eu lhe apresento meus humildes respeitos oh!;
Axexé oh! Axexé ; Axexé eu venero e saúdo os mais antigos, oh!; Axexé oh! Axexé ;
Axexé a escrava saúda os mais antigos, oh!; Axexé oh! Axexé .
É o seguinte o texto da Segunda cantiga: Bibi bibi lo bi wá ; Ode Arolé lo .
Tradução: Nascimento do nascimento que nos trouxe Ode Arolé ( Òsôsi ) nos trouxe ao mundo.
Saudando particularmente Oxossi que, como já dissemos, é o ancestre mítico fundador dos “terreiros” Ketu e consequentemente , Axexé do filhos do “terreiro”.
Todos os presentes estão obrigados a despedir-se do morto e delegar-se nele por meio das moedas que colocam na cuia-emissario .
d) Quando todo os presentes protestaram suas homenagens e despediram-se do morto, formam uma roda e todo o egbé e os parentes do morto entoam, entre outras, a cantiga:
Ò tó ‘ rù egbé ma sokún omo ò tó ‘ rù egbé ma sokún omo égun ko gbe eyin o!
Ekikan ejare àgbà Orixá gbe ni másè ekikan esin enia niyi r' òrun
Tradução: Ele alcançou o tempo (de converter-se) no érù egbé (o carrego que representa o egbé ). Não chore, filho. Oficiante do rito, não chore.
Alcançou o tempo (de converter-se) no carrego (no representante) do egbé .
Não chore, filho. Que Égun nos proteja a todos!
Proclamai o que é justo. Que Àgbà Orixá nos proteja a todos!
Proclamai (que) foi enterrado um dos seus, que foi para o òrun .
(isto quer dizer, falai alto, com justa razão, porque enterram alguém venerável que irá ao òrun ).
A roda se desfaz e cada um volta para seu lugar.
e) algumas adósù trazem vasilhas com comidas especialmente preparadas para essa ocasião e as colocam ao lado da cuia. Junto também é colocado um obì .
f) Os sacerdotes vêm e levantam ritualmente a cuia cheia de moedas, apagam a vela e transportam tudo, também obì . e as comidas, para o recinto especial exterior, onde tudo é colocado junto aos objetos que pertenceram ao morto.
g) Os membros do egbé na sala, descobrem suas cabeças, enrolam o pano branco por de baixo dos braços e formam uma Segunda roda, saudando e homenageando os orixás. Acaba essa parte da cerimônia, eles se cobrem novamente e continuam a roda cantando uma última cantiga de adeus ao morto .
3) Axexé : sexto e sétimo dias:
o ritual do sexto e sétimo dias é o ponto culminante do ciclo. No crepúsculo canta-se o Padê e continua -se como nos dias precedentes até a fase. Seguem-se os seguintes ritos:
a) Ao pé das comidas e do obì colocam-se, ao lado da cuia, os animais que vão ser oferecidos de acordo com o asé do morto.
b) Um sacerdote vem do exterior e põe no punho esquerdo de todos os assistentes pequenas tiras de màrìwò . É isso que os identifica como filhos do “terreiro” e os protege.
c) Os membros do egbé retomam seus lugares e esperam ser avisados do fim do rito que se desenrola do Ilé-ibo .
d) Nesse meio tempo, os sacerdotes preparam o chamado final do morto. Trazem tudo, “assentos”, objetos pertencentes ao morto, cuia, comidas e animais para o Ilé-ibo-akú . Traçam no solo de barro batido um pequeno círculo com areia e por cima, um círculo com cada uma das três cores símbolos. É um ojúbo provisório, em que se invoca o morto.
No meio dele, parte-se o obì e, com seus segmentos, consulta-se o oráculo sobre a destinação a ser dada a cada um dos objetos e “assentos” do morto. Se trata de uma sacerdotisa de grau elevado, às vezes acontece que o “assento” de seu orixá fique no “terreiro” para ser adorado, com a condição de que o morto, consultado, esteja de acordo.
Também pode querer deixar alguns objetos de uso pessoal, determinadas jóias ou emblema a um parente ou a uma irmã do “terreiro”. O resto, o que o morto não deixa para ninguém, em especial seu Bara , seu Ìpòrí , é posto em volta do pequeno círculo assim como as três vasilhas novas de barro, que descreveremos falando do “assento” dos Égun das adósù . Se o morto pertence à cúpula do “terreiro” ou possui méritos excepcionais, as três vasilhas são separadas para se proceder mais tarde a seu “assentamento” no Ilé-ibo-akú . Caso contrário, que é a maioria, as três vasilhas são colocadas junto aos que circundam o círculo-ojúbo . O sacerdote do grau mais elevado invoca o morto três vezes, batendo no solo com um ìsan novo preparado com uma grossa tala de palmeira. Invoca-se para que venha apanhar seu carrego, para que leve e se separe para sempre do egbé e do “terreiro”.
Insiste-se e, na terceira invocação, o morto responde e simultaneamente tudo é destruído, quebrado com ìsan , rasgando-se vestimentas e colares. Os animais são imolados e colocados por cima dos restos destruídos, onde se coloca partes das moedas que se esparramaram ao quebrar a cuia, e os màrìwò que, retirados dos punhos irão juntos com os despojos do morto. Coloca-se por cima o punhado de terra, com a areia e as três substâncias cores recolhidas oportunamente. Um grande carrego é preparado: é o erù e sacerdotes levarão a perigosa carga especificado pelo oráculo para que Exu e Eleru disponha dele.
e) Um sacerdote previne o egbé que, em silêncio, esperava na sala. Todos se levantam a saída do erù-ikù :
Gbe ‘rú le mã lo a fi bo
Tradução: o carrego da casa está saindo cubram-nos.
f) Todos os participantes esperam em silêncio a volta dos sacerdotes que, ao seu regresso, irão, em primeiro lugar, prestar conta de sua missão aos ancestrais no Ilé-ibo-akú . Em seguida, virão à sala para comunicar o feliz término de sua missão.
O egbé forma uma roda, canta saudando os orixás, e dois cantos finais despedindo-se do morto.
Iku o! Iku o gbe lo o gbe , dide k' o jo eku o! òdigbõse o!
Oh! Morte, morte o levou consigo ele partiu, levantem-se e dancem, nós o saudamos! Adeus!
No entardecer do sétimo dia, canta-se o Padê de encerramento e, em seguida, procede-se ao sacudimento, isto é, a lavar, varrer e sacudir todos os Ilé e a sala, com ramos de folhas especiais.
O asé da adósù passou a integrar o do “terreiro”. Se a pessoa falecida é a Iyálàse , deverá proceder -se a “retirar” sua mão de todos os objetos, todos os borí , celebrada pela Iyálàse substituta. Durante esse rito, ela pousará a mão sobre o orí de cada um dos membros do egbé , transferindo-lhes seu próprio asé .
Se o grau da adósù falecida o permite, e se a resposta do oráculo o confirma, uma vez preparado o carrego, o ibo desta será preparado ritualmente com três vasilhas novas de barro.
Um àpéré especialmente aprontado com uma combinação de folhas apropriadas é colocado diretamente sobre a terra no Ilé-ibo no lugar em que será implantado o “assento” formado com três recipientes; coloca-se junto uma quartinha com água e tudo é recoberto com um pano branco. Cumprindo um ano, uma oferenda espacial será feita e a sacerdotisa falecida passará a fazer parte dos mortos e dos ancestrais venerados no Ilé-ibo-akú , Axexé protetores do “terreiro”.
Uma cantiga entoada na terra Yorùbá diz:
Ìyá mi, Axexé !; ba mi, Axexé !; Olórun un mi Axexé o o ! ki ntoo bò orixá à è.
Tradução: Minha mãe é minha origem!; Meu pai é minha origem!; Olórun é minha origem!; Consequentemente, adorarei minhas origens antes de qualquer outro orixá.
E no “terreiro” invoca-se: Gbogbo Axexé tinu ara.
Todos (o conjunto dos) Axexé no interior de nosso corpo...(do “terreiro”).
Se Axexé , não há começo, não há existência. O Axexé é a origem e, ao tempo, o morto, a passagem da existência individual do àiyé à existência genérica do òrun . Não há nenhuma confusão entre a realidade do àiyé – o morto – e seu símbolo o seu doble no òrun - o Égun . Há um consenso social, uma aceitação coletiva que permite transferir, representar e simultânea do àiyé e do òrun , a vida e da morte.
O asé integrado pelos três princípios-símbolos e veiculado pelo princípio de vida individual manterá em atividade a engrenagem complexa do sistema e, através da ação ritual, propulsionará as transformações sucessivas e o eterno renascimento.
O QUE FALA A NOSSA ENCICLOÉDIA LIVRE:
Axexê
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Axexê cerimônia realizada após o falecimento de alguém iniciado no candomblé . Quando um iniciado no candomblé morre, junta-se todos seus pertences pessoais utilizados em sacrifícios e obrigações, como roupas, colares e os assentamentos de santo e se faz uma consulta oracular para se saber do destino dos objetos separados, se ficam com alguém. Em caso positivo, o objeto ou objetos em questão é lavado com ervas sagradas e entregue ao herdeiro ou herdeiros revelado(s) no oráculo, e em caso negativo, o objeto é separado para junto com os demais e, após serem os colares rompidos, as roupas rasgadas e os assentamentos quebrados, são colocados em uma trouxa que será entregue em um local também indicado pelo oráculo. Normalmente, a trouxa, chamada de Carrego de Egum , é acompanhada de um animal sacrificado, indo de uma única ave à um quadrúpede acompanhado de várias aves, dependendo do grau iniciático do morto. E ainda, se o falecido era um iniciado de pouco tempo, basta um lençol branco para embalar o carrego, se se tratava de alguém mais graduado, o carrego é colocado em um grande balaio, o qual é depois embalado no lençol. O processo de preparação e entrega, ou despacho do Carrego de Egum é a cerimônia fúnebre mínima que se dedica a qualquer iniciado no candomblé quando morre. As variações surgem, como foi já colocado, dependendo do grau iniciático ao qual pertencia o morto mas também da Nação em que fora iniciado. Se o morto era uma pessoa graduada na religião é que mereceria um Axexê . O Axexê nesses casos antecede ao Carrego de Egum e consiste em uma, três ou seis noites de cânticos e danças na qual se celebra a partida do iniciado para o outro mundo , rememorando o nome de outros iniciados já falecidos e, enfim, os eguns em geral. Canta-se também a certa altura para os orixás, menos para Xangô e Oxalá para os quais se canta no depois da entrega do carrego no ritual do arremate . Todos os participantes devem vestir branco, a cor do nascimento e da morte no candomblé, e devem estar com a cabeça e os ombros cobertos. Obedecem-se vários preceitos rígidos de comportamento dentro do terreiro durante todo o processo, para evitar melindrar o espírito que está sendo respitosamente despdido. Depois do carrego despachado, canta-se o arremate no dia seguinte à tarde, antes do pôr-do-sol, as mesmas cantigas do Axexê são ainda entoadas e no final são louvados os orixás , e empreende-se uma limpeza ritual do terreiro, com a participação eventual dos orixás que porventura tenha se manifestado em seus médiuns. Ao longo do Axexê mesmo somente orixás mais ligados à morte como Oyá - Iansã , Obaluaiyê , Ogum , etc. costumam se manifestar. No caso em que o morto era um pai ou mãe de santo cujo terreiro permaneceu ainda aberto, costuma-se repetir o ritual um, três, seis meses, e um, três, sete anos depois do Axexê inicial. O Axexê também é conhecido pelos nomes de sirrum e zerim , nomes em Língua Fon significando os instrumentos que são percutidos em substituição aos atabaques. O sirrum é uma metade de cabaça emborcada em um alguidar onde se encontra uma mescla de substâncias líquidas e o zerim é um pote com certas substâncias dentro que é percutido com um leque de palha dobrado em dois. Quando se trata de uma pessoa especialmene antiga e poderosa na religião, o Axexê é tocado com atabaques mesmo, com os couros ligeiramente afrouxados para serem depois também despachados no carrego. Em alguns terreiros da Nação Ketu também se usa tocar Axexê com três cabaças: duas inteiras e uma com a ponta cortada.

 

As Águas de Oxalá

 


Na quinta-feira à noite, antes de se iniciarem os preceitos desta cerimônia, das 7 horas da noite até meia noite, todos os filhos da casa são obrigados a fazer um bori, em muitas casas essa obrigação tem sido substituída por um obi , para poderem carregar as águas.
Depois desse bori ou obi, vão se recolher, até que são acordados, antes do nascer do Sol pela Yalorixá ou pelo Babalorixá para iniciarem o preceito das águas. Os filhos do Axé, trajados de branco, saem em silêncio do terreiro, em procissão, carregando potes e moringues, tendo à frente o Babalorixá ou a Yalorixá tocando o seu adjá. Todos se dirigem para uma fonte próxima.
Hoje em dia, como muitas casas não encontram fontes por perto, essa obrigação é feita dentro do próprio terreiro. Meia hora depois, com suas vasilhas cheias d'água, aproximam-se de um lugar apropriado, todo cercado de palha, com uma oca indígena, chamado Balué, onde se colocou o assentamento do Orixá Oxalufon. Ali, todos apresentam aquelas águas ao Babalorixá ou Yalorixá que as derrama por cima do assentamento de Oxalufon.
São feitas três viagens à fonte ou aonde está a água (no caso das casas que não possuem fontes perto), e, na terceira, a água não é mais derramada, ficando todas as vasilhas cheias depositadas no Balué, sendo colocada uma cortina branca na porta e uma esteira no chão.
Cada pessoa que chega ajoelha-se sobre aquela esteira em sinal de reverência. Algumas pessoas, os que têm orixá masculino, dão Dodobalé, deitam-se de fio ao comprido, tocando a cabeça no chão. As demais, as que são dos orixás femininos dão o Iká otun iká osi, virando-se de um lado e do outro, tocando o chão com a cabeça -. Depois dessa cortesia, o Babalorixá, juntamente com todos os seus filhos e associados, começa a cantar uma saudação para Oxalá (Oriki):
Babá êpa ô Babá êpa ô Ará mi fo adiê Êpa ô Ará mi ko a xekê Axekê koma do dun ô Êpa Babá
Depois de cantada essa saudação, todas as pessoas pertencentes à Oxalá são por ele manifestadas e vão até o Balué, que é, como já se viu, onde está o assento de Oxalufon. Fazem ali determinadas reverências e cumprimentam a todos, agradecendo o sacrifício daquele dia e rogando a Oduduá para abençoar a todos.
Uma das perguntas mais frequentes dos meus internautas é: SENDO OXALÁ UM ORIXÁ FUN FUN (DO BRANCO) E QUE NÃO ACEITA OUTRA COR SE NÃO ESSA POR QUE USA EKODIDE? POR QUE O WAJI PERTENCE A OXALUFON QUANDO NA CABEÇA DO YAO?
Vou começar pela segunda pergunta:
Oxalá, como todos sabemos é a própria vida e quando fazemos a pintura na cabeça do yawo note que ele é feito em forma de meia cuia o que na realidade representa a escuridão do útero materno. quanto ao ekodide este é o símbolo da menstruação também relacionado ao início da vida.
A seguir mostrarei a transcrição de um iton (lendas das quais surgem as leis e as explicações para nossa religião.
Por que Oxalá usa Okodide (transcrição do livro Porque Oxalá usa Ekodidé - Deoscóredes M. dos Santos-DIDI - Edição Cavaleiro da Lua - Fundação Cultural do Estado da Bahia - foi mantida a ortografia original do manuscrito)
Muito tempo depois que Oduduwa chegou em Ilê Ifé e começaram a adorar o culto das Águas de Oxalá, aconteceu que, logo no primeiro ano, quando estava perto das festas Oxalá escolheu uma senhora das mais velhas do terreiro, chamada Omon Oxum, para tomar conta de todo, ou melhor, de toda sua roupa, adornos e apetrechos, depositando com toda benevolência nas mãos dela aquele direito especial para tomar conta de tudo que lhe pertencesse, da coroa ao sapato.
Omon Oxum por nunca ter tido nenhum filho, criava uma menina. Dessa data em diante ela e a menina ficaram sendo odiadas por algumas pessoas que faziam parte nesse terreiro e que por inveja de Omon Oxum começaram a tramar novidades, procurando um meio qualquer para fazer Oxalá se zangar com ela e tomar o "Axé" entregue por Oxalá. Fizeram coisas que Deus duvida contra Omon Oxum porém nada surtia efeito. Cada vez mais Oxalá ia aumentando a amizade e dedicação para Omon Oxum. Ela era muito devotada ao cumprimento das suas obrigações e não dava margem alguma para ser por ele repreendida.
Como dizem que a água dá na pedra até que fura, aconteceu que, na véspera do dia da festa, as invejosas, já desiludidas por poderem fazer o que desejavam, de passagem pela casa de Omon Oxum se depararam com a coroa de Oxalá que ela tinha arriado e colocado no sol para secar.
Quando elas viram a coroa de Oxalá muito bonita e mais reluzente do que nunca, combinaram roubar a coroa e ir jogar no fundo do mar. E assim fizeram. Quando Omon Oxum foi apanhar a coroa para guardar, não encontrou. Ficou doida. Procura daqui procura dali, remexeram com tudo procurando em todos os cantos da casa e nada da coroa aparecer. As invejosas vendo a aflição que estava passando Omon Oxum e sua filhinha, satisfeitas pelo mal que tinham causado, riam as gaiofadas dizendo: agora sim quero ver como ela vai se atar com Oxalá amanhã quando ele procurar a coroa e não encontrar.
A essa altura Omon Oxum completamente perdida só pensava em se matar e já estava resolvida a fazer isso para não passar vergonha perante Oxalá. Foi quando a meninazinha, sua filha de criação disse: - Mamãe, porque a senhora não vai na feira amanhã de manhã bem cedinho e não compra o peixe mais bonito que tiver lá?
A coroa de Oxalá deve estar na barriga desse peixe. E assim a menina insistiu, insistiu tanto, até que Omon Oxum se decidiu a aceitar o que a menina aconselhou, dizendo:- Fique tranqüila minha filha, porque de madrugada eu vou acordar para ir à feira ver se encontro com esse peixe que você imagina ter a coroa do nosso Rei Oxalá na barriga.
A menina foi dormir tranqüila. Omon Oxum coitada, não pôde dormir toda a noite preocupada que já amanhecesse o dia para ela ir a feira ver se conseguia encontrar o dito peixe que a menina julgava ter a coroa na barriga. Quando o dia mal tinha clareado, Omon Oxum pulou da cama, se preparou e lá se foi. Quando ela chegou na feira foi diretamente no mercado de peixe e não encontrou nenhuma escama.
Ainda era muito cedo. Omon Oxum deu uma volta pela feira e já bastante impaciente voltou ao mercado onde encontrou um senhor vendendo um peixe, cujo peixe, era o único que se encontrava no mercado. Omon Oxum comprou o peixe e foi voando para casa a fim de destrincha-lo. Queria ver se sua filha tinha aconselhado bem, para ela poder obter a paz e tranqüilidade espiritual, encontrando a coroa de Oxalá. Assim que ela chegou em casa foi logo para a cozinha para abrir a barriga do peixe.
Porém não conseguiu. Quando ela estava aí se acabando de chorar e labutando para abrir a barriga do peixe, a menina acordou e foi logo perguntando: - Mamãe já comprou o peixe? A senhora deixa que eu abra a barriga dele? - Omon Oxum bastante chorosa respondeu:- Minha filha a barriga dele está muito dura. Eu não posso abrir quanto mais você.
A menina se levantou, chegou na cozinha, apanhou um cacumbú e puxou rasgando a barriga do peixe, está se abriu em bandas deixando aparecer a coroa de Oxalá ainda mais bonita do que era antes. Omon Oxum se abraçou com a menina e de tanto contentamento não sabia o que fazer com ela. Carregava, beijava, dançava, e por fim Omon Oxum olhando para a menina e em seguida voltando as vistas para o céu, disse: - Olorun, Deus que lhe abençoe.
Sua mãe está sendo perseguida, porém com a fé que tem no seu Eledá, anjo da guarda, não ha de ser vencida. Limparam muito bem limpa, a coroa, e guardaram, muito bem guardada, juntamente com o resto das coisas pertencentes a Oxalá. Em seguida Omon Oxum cozinhou o peixe, fez um grande almoço e convidou a todos da casa para almoçar com ela dizendo que estava festejando o dia da festa do Pai Oxalá.
Ao meio dia Omon Oxum juntamente com seu, quero dizer, sua filhinha serviram o almoço acompanhado de Aluá ou Aruá, a bebida predileta de Oxalá a qual os Erê dão o nome de mijo do pai.
Depois do almoço todos foram descansar para na hora determinada dar começo a festa das Águas de Oxalá. As invejosas quando viram todo aquele movimento, Omon Oxum muito alegre como se nada tivesse acontecido a ponto de dar até um banquete em homenagem a Festa de Oxalá, ficaram malucas. Uma delas perguntou:- Será que ela encontrou a coroa? - Outra respondeu:- Eu bem disse que queimasse. - E a outra mais danada ainda dizia:- Eu disse a vocês que o melhor era cavar um buraco bem fundo e enterrar. - A primeira procurando acalmar os ânimos, disse para a outra:- Vamos esperar até a hora que ela apresentar as roupas de Oxalá com todos os armamentos.
Se a coroa estiver no meio o jeito que temos é fazer um grande ebó e colocar na cadeira onde ela vai se sentar ao lado de Oxalá. - O ebó, sacrifício, pode ser empregado para o bem ou para o mal.
Quando estava perto da hora de começar a festa, Omon Oxum apresentou a Oxalá toda a roupa com todos os armamentos deixando as invejosas mais danadas e com mais desejo de vingança, a ponto de procurarem fazer o ebó por elas idealizado e colocar na cadeira onde Omon Oxum era obrigada a sentar-se por ordem de Oxalá.
Começou a festa com a maior alegria possível. Oxalá chegou acompanhado por Omon Oxum e se sentou no trono. Omon Oxum sem saber do que estava sendo feito contra ela, também se sentou na sua cadeira ao lado de Oxalá. Quando começaram as cerimônias e que Oxalá precisou de colocar a sua coroa, virou-se para Omon Oxum e pediu para ela ir apanhar a coroa. Omon Oxum quis levantar e não pôde. Fez força para um lado, para o outro, e nada de poder levantar-se, até quando ela decidiu levantar-se de qualquer maneira.
Devido a grande dor que sentiu, olhou para a cadeira e viu que estava toda suja de sangue. Alucinada de dor, e horrorizada por saber que Oxalá de forma nenhuma podia ter nada de vermelho perto dele porque era ewó, proibição, saiu esbaforida pela porta afora, indo se esbarrar na casa de Exú. Quando Exú abriu a porta que viu Omon Oxum toda suja de vermelho, disse:- Você vindo desse jeito da casa de meu pai? Infringiu o regulamento e eu não posso lhe abrigar,- e fechou a porta. Daí ela foi para a casa de Ogun, Oxossi, de todos Orixás e sempre diziam a mesma coisa que disse Exú.
Só restava a casa de Oxum. Quando Omon Oxum chegou a casa de Oxum, esta já tinha sabido do que estava acontecendo e estava a sua espera. Omon Oxum se jogando nos pés dela disse:- Minha mãe me valha, estou perdida. Oxalá não vai me querer mais em sua casa. Oxum disse para ela que não se preocupasse, que um dia Oxalá ia buscar ela de volta. Depois Oxum, usando de sua magia, fez com que, do lugar onde sangrava em Omon Oxum saísse Ekodide, pena vermelha de papagaio da costa, até quando sare a ferida. Oxum, depois de colocar todo aquele Ekodidé numa grande igbá, cuia, reuniu todo seu pessoal e todas as noites faziam um xirê, festa, cantando assim:
BI O TA LADÊ BI O TA LADÊ IRÚ MALÉ IYA OMIN TA LADÊ OTO RU ÉFAN KOBÁJA OBIRIN IYA OMIN TA LADÊ E
Assim Oxum ricamente vestida, sentada no seu trono, com Omon Oxum ao seu lado, a cuia de Ekodidés e a vasilha para colocarem dinheiro em frente a elas, recebia as visitas de todos os Orixás que iam até lá para ver e saber porque Oxum estava fazendo aquela festa todas as noites. Todos que lá chegavam e ficavam sabendo do acontecimento, si era homem dava dodóbálé, se estirava de peito no chão para Oxum, depois apanhava um Ekodidé e colocava uma certa quantia na vasilha que estava ao lado para ser colocado o dinheiro, e se era mulher dava iká, quer dizer, se deitava no chão de um lado e do outro para Oxum e em seguida apanhava um Ekodidé e colocava também o dinheiro na referida vasilha.
Tudo aquilo que estava acontecendo no palácio de Oxum, ficou sendo muito propalado e as invejosas faziam todo possível para que Oxalá não soubesse. Um dia, elas, sem observarem que Oxalá estava por perto, começaram a comentar o caso, onde uma delas disse:- Com ela não tem quem possa, depois de tudo o que nós fizemos, depois de ter acontecido o que aconteceu aqui no palácio de Oxalá e de ter sido enjeitada por todos Orixás, vocês não estão vendo que Oxum abrigou ela? Curou, conseguindo que do lugar que sangrava saísse Ekodidé, fazendo uma grande fortuna e aumentando a sua riqueza.
Agora só nos resta é fazer com que o velho não saiba do que está acontecendo no palácio de Oxum, se não é bem capaz de querer ir até lá. Nisso o velho Oxalá pigarreou dando a entender que tinha ouvido toda a conversação. Ordenou a elas que procurassem saber a hora que começava o xirê no palácio de Oxum e que elas iam servir de companhia para ele poder ir apreciar o xirê e tomar conhecimento do que estava acontecendo. Quando elas ouviram Oxalá falar desta maneira bem pertinho delas a terra lhe faltaram nos pés e o remorso montou nos seus cangotes fazendo com que elas fugissem para nunca mais voltar ao palácio de Oxalá. A noite, depois do jantar, Oxalá cansado de esperar pelas três invejosas e não vendo nenhuma delas aparecer, disse:- Fugiram com medo de que eu castigasse pela grande injustiça que cometeram, não sabendo de que o castigo será dado pelas mesmas. Assim Oxalá se dirigiu para o palácio de Oxum afim de assistir o xirê e saber qual a causa do mesmo.
Quando Oxalá chegou no palácio de Oxum mandou anunciar a sua chegada. Oxum mais bonita do que nunca, coberta de ouro e muitas jóias dos pés a cabeça, sentada no seu rico trono, mandou que Oxalá entrasse, e continuou o xirê cantando:
BI O TA LADÊ, BI O TA LADÊ, IRÚ MALÊ, IYA OMIN TA LADÊ.
Quando Oxalá entrou ficou abismado de ver tanta riqueza e quando reparou bem para Oxum, que viu a seu lado Omon Oxum, a pessoa que cuidava dele e de todas suas coisas, a quem ele julgava ter perdido devido o que tinha acontecido, não se conteve, se jogou também no chão dando dodóbálé para Oxum, apanhando um Ekodidé e colocando bastante dinheiro na vasilha. Oxum quando viu o velho dar dodóbálé para ela, se levantou cantando:
DÓDÓ FIN DODÓBÁLÉ KÓ BINRIN IYA OMIN TA LADÊ
E foi ajudar a Oxalá se levantar do chão. Depois que Oxalá se levantou Oxum pegou Omon Oxum pela mão e entregou à Oxalá dizendo:- Aqui está a vossa zeladora, sã e salva de todo mal que desejaram e fizeram para ela para que ela ficasse odiada por vós.
Oxalá agradecendo a Oxum disse:- Oxum, em agradecimento a tudo o que fizestes de bem e para amenizar os sofrimentos de Omon Oxum eu, Oxalá, prometo levar ela de volta para o meu palácio e de hoje em diante nunca hei de me separar desta pena vermelha que é o Ekodidé e que será o único sinal desta cor que carregarei sobre o meu co

 
 




BORI 



BORI

Bori vem da junção BO + ORI, onde bo podemos traduzir como encontrar ou alimentar.
Falando de Ori
O ser humano, espiritualmente falando, não é corpo, mas só cabeça.
Exemplo:
José ou Maria não é cabeça, tronco e membros, mas apenas cabeça. Tudo que vem abaixo da cabeça (Ori) são partes prestadoras de serviço (funcionárias) da cabeça. Acredito que a cabeça é à base de tudo, tanto no Orun (mundo espiritual) como no Aiye (mundo material). No Aiye, a cabeça é responsável pelos projetos, pela ira, amor e a fé.
No Orun, a cabeça (Ori) é a responsável pela continuidade no plano terrestre. É como se tivesse duas dimensões chamadas de Orun e a outra Aiye, onde teríamos uma cópia fiel de cada um de nós e, quando fazemos o ritual do Bori (alimento a cabeça), unimos o corpo físico com o corpo astral, ligando assim as duas metades Ori-Aiye e Ori-Orun (cabeça material e espiritual), e assim centralizamos nosso eixo, sintonizando os seres dos dois universos.
Desta forma, mantemos nossa estadia neste mundo por mais tempo. Porém, quando chagado o momento dos dois seres Ori-Aiye e Ori-Orun se unirem, nada é capaz de evitar este encontro. É neste momento que o Orixá (Òri s á) Ikú (morte) vem fazer sua parte e deixando grande dor para os que ficam no Aiye. Em outro momento falaremos deste Òri s á chamado de Ikú . A cabeça tem a mesma forma de uma cabaça, umas mais ovais e outras arredondadas, mais ainda em forma de uma cabaça. A cabaça dentro da cultura Nagô esta ligada à criação do mundo e tem o mesmo formato de um útero e este é um dos motivos que os vodunsses são proibidos de comer a abóbora (cabaça comestível). Sobre a cabaça falaremos em outra oportunidade.
Somos nós que escolhemos o que queremos viver no Aiye. Muitas vezes usamos o termo “este é o meu destino”. Em alguns casos, este bordão se aplica; em outros é usado erroneamente. Quando é chegado o momento de virmos para o Aiye, tem um determinado momento em que nos é perguntado o que vamos fazer neste mundo. Neste momento não existe Ori-Aiye, só duas pessoas denominadas de Ori-Orun. Ambos escolhem quais suas missão no mundo dos homens, esta escolha é chamada de odu-labori.
Odu-Labori é o destino que escolhemos para nós, isso é muito fácil de compreender e darei um exemplo muito simples.
Alguém que nasce em berço de ouro e tem todas as oportunidades para ser uma pessoa grande e fica em absoluta miséria.
Matéria da Revista Orixás:
( Uma iniciação à religião, sem a qual nenhum noviço pode passar pelos rituais e passagem, ou seja, pela iniciação ao sacerdócio )




Da fusão da palavra bó, que em ioruba significa oferenda, com ori, que quer dizer cabeça, surge o termo bori, que literalmente traduzido significa “ Oferenda à Cabeça”. Do ponto de vista da interpretação do ritual, pode – se afirmar que o bori é uma iniciação à religião, na realidade, a grande iniciação, sem a qual nenhum noviço pode passar pelos rituais de raspagem, ou seja, pela iniciação ao sacerdócio. Sendo assim, quem deu bori é ( Iésè órìsà ).
Cada pessoa, antes de nascer escolhe o seu ori, o seu princípio individual, a sua cabeça. Ele revela que cada ser humano é único, tendo escolhido suas próprias potencialidades. Odu é o caminho pelo qual se chega à plena realização de orí, portanto não se pode cobiçar as conquistas do outro. Cada um, como ensina Orunmilá – Ifá, deve ser grande em seu próprio caminho, pois, embora se escolha o ori antes de nascer na Terra, os caminhos vão sendo traçados ao longo da vida.
Exu, por exemplo, nos mostra a encruzilhada, ou seja, revela que temos vários caminhos a escolher. Ponderar e escolher a trajetória mais adequada é tarefa que cabe a cada ori, por isso o equilíbrio e a clareza são fundamentais na hora da decisão e é por meio do bori que tudo é adquirido.
Os mais antigos souberam que Ajalá é o orixá funfun responsável pela criação de ori. Dessa forma, ensinaram – nos que Oxalá sempre deve ser evocado na cerimônia de bori. Yemanja é a mãe da individualidade e por essa razão está diretamente relacionada a orí, sendo imprescindível a sua participação no ritual.

A própria cabeça é síntese de caminhos entrecruzados. A individualidade e a iniciação (que são únicas e acabem, muitas vezes, se configurando como sinônimos) começam no ori, que ao mesmo tempo apota para as quatro direções.
OJUORI – A TESTA
ICOCO ORI – A NUCA
OPA OTUM – O LADO DIREITO
OPA OSSI – O LADO ESQUERDO

Da mesma forma, a Terra também é dividida em quatro pontos: norte, sul, leste e oeste; o centro é a referencia, logo toda pessoa deve se colocar como o centro do mundo, tendo à sua volta os pontos cardeais: os caminhos a escolher e seguir. A cabeça é uma síntese do mundo, com todas as possibilidades e contradições.
Na África, ori é considerado um deus, alias, o primeiro que deve ser cultuado, mas é também, junto com o sopro da vida (emi) e o organismo (ese), um conceito fundamental para compreender os ritos relacionados a vida, como axexê (asesé). Nota – se a importância desses elementos, sobretudo o ori, pelos oriquis com que são evocados:
O bori prepara a cabeça para que o orixá possa manifestar – se plenamente. Há um provérbio nagô que diz: Orí buru kó si orisá. É o bori que torna a cabeça ruim não tem orixá. É o bori que torna a cabeça boa. Entre as oferendas que são feitas ao ori algumas merecem menção especial. É o caso da galinha – d'angola, chamada nos candomblés de etum ou konkém, que é o maior símbolo de individuação e representa a própria iniciação. A etun é adoxu ( adosú ), ou seja, é feita nos mistérios do orixá. Ela já nasce com exu, por isso relaciona – se com começo e fim, com a vida e a morte, por isso está no bori e no axexê.

O peixe representa as potencialidades, pois a imensidão do oceano é a sua casa e a liberdade o seu próprio caminho. As comidas brancas, principalmente os grãos, evocam fertilidade e fartura. Flores, que aguardam a germinação, e frutas, os produtos da flor germinação, simbolizam fartura e riqueza.

O pombo branco é o maior símbolo do poder criador, portanto não pode faltar. A noz cola, isto é, o obi é sempre o primeiro alimento oferecido a ori; é a boa semente que se planta e espera – se que dê bons frutos.
Todos os elementos que constituem a oferenda à cabeça exprimem desejos comuns a todas as pessoas: paz, tranqüilidade, saúde, prosperidade, riqueza, boa sorte, amor, longevidade, mas cabe ao ori de cada um eleger prioridades e, uma vez cultuado como se deve, proporciona-las aos seus filhos.
NUNCA SE ESQUEÇA: ORIXÁ COMEÇA COM ORI.

FONTE: REVISTA ORIXÁS